Reflecções sobre a Morte e o Mal
A Morte, o Mal, o Fracasso, são temas difíceis de serem abordados, são questões que a nossa vã filosofia não è capaz de responder adequadamente. Diante do mistério do mal e da morte, muitos filosófos fecharam a boca e não encontraram palavras. A morte é sempre uma ruptuta, um desligar bruscamente o botão da vida. O homem foi feito para a vida. Encontramos a prova disso no desejo incontestável que o homem tem de conquistar, de construir, de projetar o futuro. A vida tem uma essência imortal; é contido no coração do homem o desejo de viver eternamente. Por isso, não obstante ser um fato inevitável e natural, a morte permanece sendo uma contradição; e por mais que tentemos convencer a nossa mentalidade de que a morte se trata de um mal necessário, ainda assim ficamos escandalizados diante dela.Em toda a história da filosofia, encontramos tentativas de esclarecer o mstério da morte e do mal. Já com os antigos filósofos gregos encontramos escritos que buscam dar uma motivação lógica para a morte[1]. Será Agostinho[2] a dar uma resposta precisa sobre estes temas, baseando-se na doutrina cristã, até chegar filósofos como Tomás de Aquino e alguns filósofos modernos que elaborarão tratados inteiros sobre este tema.
Deixando de lado o que diz a filosofia sobre a morte e o mal, podemos constatar um fato: a morte reclama a vida. Vivemos em um mundo superficial e de aparências. Aqui a morte se torna como que um acordar-se para o essencial. De fato, quando se pensa à morte os nossos olhos se abrem àquilo que de verdade importa na vida. Quando lembramos que chegará a nossa hora e que na vida essa é uma das coisas que não podemos evitar, então começamos a valorizar mais a própria vida e o nosso tempo de viver. Começamos a amar mais e a brigar menos; o que antes era tido como importante, ora se torna banal; e o que antes era esquecido, ora se torna fundamental e primordial. De fato, se nós tivéssemos sempre a morte diante dos olhos, viveríamos mais, aproveitaríamos mais do tempo que nos foi dado por graça.
Enfim, com a esperança da vida eterna, o nosso viver na carne e no mundo se tornaria simplesmente o início da eternidade beata. O céu se constrói na terra.
[1] Por causa da influência dos mistérios órficos que a filosofia sofreu na sua gênesis, filósofos como Eráclito de Éfeso, como também os pitagóricos, Sócrates e especialmente Platão adimitiam a morte como passagem de purificação necessária para chegar ao estado deífico. “Imortais mortais, mortais imortais; vivendo a morte daqueles, vivendo a vida daqueles” (Eráclito).
[2] S. Agostinho afirma que o mal é um não-ser, privatio boni, isto é, privação do bem, ausência do Ser que é o Bem por excelência. A morte é a consequência do mal, a total ausência do bem (vida) por causa do pecado (mal moral). Existem assim dois tipos de morte: um corpóreo (total corrupção do corpo); e um sobrenatural (perda do Sumo-Bem, morte da alma).
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