Oração e Transfiguração
"De fato, nao sabiam o que dizer, pois eram tomados pelo estupor" (Mc 9, 1-9)O que mais me toca neste trecho do evangelho de S. Marcos é a situação dos discípulos que estavam com Jesus: de fato eles não podiam entender o que estava acontecendo naquele momento, mas sentiam que algo lhes atraía e que este algo tinha um sabor de eternidade que niguém mais podia proporcionar sobre a terra. Sentiam que eram feitos pra viver assim, este era o seu lugar, encontraram sobre aquele monte conforto e acolhimento; passariam toda a vida sobre aquele monte, naquela situação sem pensar em todo o resto pois tudo diante daquela sensação de preenchimento total, era considerado como vazio, palha ao fogo.
Pedro, meio que ingenuamente, toma a palavra e diz: "é belo para nós estarmos aqui, façamos três tendas...". A santidade é beleza. Ser santo é ser belo, mas não com uma simples beleza superficial, mas com a verdadeira beleza que, já para os antigos filósofos, se tratava de algo muito mais profundo do que a simples estética.
Para entendermos bem essa expressão de Pedro, devemos ter em mente o conceito filosófico de beleza. Para os filósofos, beleza é o mesmo que "ser". Tudo aquilo que é, em si já é belo pelo simples fato de ser. Portanto a não beleza consistirá na perda do "ser", isto é, da existência, a essência que dá lugar ao nada que vem identificado como mal (ausência do bem). Podemos comprovar tudo isso no exemplo de uma fruta que é bela enquanto completa e ordenada; mas quando essa começa a apodrecer (perder o seu "ser"), então dizemos que não é mais bela. Assim como o aprodecimento de uma fruta a leva ao "não ser" (de fato, o final do processo de apodrecimento da fruta é o seu total desaparecimento), assim o mal, o pecado, nossa falta de amor nos levam ao vazio da razão.
Naquele instante, Pedro sentiu toda a plenitude do "ser": "é belo para nós estarmos aqui". Isso tudo é um efeito lógico da oração, pois o que os discípulos estavam vivendo era um a profunda experência de oração com Jesus. A verdadeira oração transfigura, é bela, é agradável. Os discípulos puderam sentir o sabor do céu, por isso não importava mais o que estava sobre a terra, eles não queriam descer o monte Tabor. Mas a oração aqui sobre a terra não pode acabar aí: eles tiveram que descer o monte Tabor para subir o monte calvario. A experiência verdadeira de oração nos impulsiona à missão, à cruz, a enfrentar as provas da vida. sem a esperiência do monte Tabor não capazes de enfrentar a experiência do monte Calvário; e sem o monte Calvário, nao podemos chegar à vida nova da ressurreição.
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